Todos os meninos do Brasil - Jose Vilhena - Ago/2006


Na terra dos meninos, partido não existe. É tudo feito no tapetão, à base da infidelidade. No país dos meninos, o governante passa a mão na cabeça de suas crias. Os meninos do Lula, os meninos do FHC, os meninos do Collor e por aí vai. Mas os meninos são sempre os seus; os dos outros têm maioridade para responder por seus atos.Todos têm o seu Gregório Fortunato, o cão de guarda. E o povo pergunta: sabia o governante das travessuras? Mar de lamas escrevem os jornais. Hoje, meros trombadinhas. E Getúlio se suicida para evitar o golpe dez anos antes como já se desenhava nos quartéis. O povo chora e ele vira mito. Logo ele que mais tarde seria reconhecido como o estadista estruturante. Mas o menino Gregório, certamente, achava que estava protegendo o chefe das torpezas do Lacerda, o Corvo. Quantos meninos terá o Brasil? Tantos. Menino Jânio que renunciou pensando em golpe, menino Jango que não evitou a revolta dos marinheiros. E o mundo necessitando tanto de homens.

No país dos meninos, jornais são periódicos do interior com seus coronéis e sua oposição golpista. Chegam até a dizer que a crise do sistema financeiro é interna. No país dos meninos, pesquisador sabe o que é fardo pesado nas costas e executa as suas tarefas como um penitente. O midlleware brasileiro, o coração da TV digital, é o mais moderno do planeta, unifica todos os sistemas digitais do mundo (americano, europeu, japonês), ganhando escala mundial, e ainda cria milhares de empregos por adotar o software livre para desenvolver o poder criador do homem. Todos pensarão: virou prioridade número um de Estado? Não no país dos meninos. O governo fez apenas ato festivo para `inglês ver` e lavou as mãos como pilatos; para os pesquisadores reserva apenas a esperança: a luta continua!

Na terra dos meninos, o poder absolutista é o que reina na economia e na política. A Rede Globo não quer ser operadora, mas o google quer. Por isso, é um ativo seguro porque virou um banco de dados, à espera de estar à frente nos novos tempos quando ganhará muito dinheiro na Era do Conhecimento e da Informação, a Era Digital. E o mundo necessitando tanto de capitalistas. As telefônicas reagem querendo entrar na área de conteúdo. Descobriram que na Era Digital fomos transformados em bites. Falar no telefone será de graça no futuro porque estaremos interligados. Também no país dos meninos? Claro, nem que seja por recomendação do Vicent Cerf, o pai da Internet, vovô ultrapassado, mas que é norte-americano. E pagando Royalties para eles, é claro. Afinal, não são meninos, mas homens. Aliás, como pensam os norte-americanos? A Globo elabora enormes editorais criticando a reserva de mercado, mas é a primeira a impedir que a nova competição se estabeleça na Revolução Digital.Quantos meninos!!!

No país dos meninos, eleitor fala com orgulho que vai votar nulo. E desnuda a sua face. No país dos meninos, todos querem um pai para ensinar como votar, em quem votar. E não estamos falando dos pobres, mas da classe média. No país dos meninos, intelectual esbraveja que o Lula vai fechar o Congresso. Para quê cara-pálida? No país dos meninos, tudo é esquecido muito rápido até mesmo da ditadura militar, o regime de exceção, quando uma geração que assumiria a liderança política sumiu ou foi morta apenas por ser nacionalista.

No país dos meninos o Sílvio Pereira já se denunciava à opinião pública em entrevista ao Amauri Júnior do programa `Flash`. Ainda sem ter chegado ao poder, demonstrava a ilusão do promovida pela ilha da fantasia numa festa chique na Bahia. Falava abertamente de favores típicos da elite para o Amauri Júnior antes da festa de posse do Lula, demonstrando todo o seu deslumbramento com a opulência de que faria parte mais tarde por ter chegado ao poder. Não para ser exercido em nome da coletividade, mas do interesse pessoal. Ele também tinha chegado ao mundo de `Caras`, do gente que acontece, a sociedade do espetáculo. Ah! O país dos meninos e de suas prostitutas. Uma entrevista para entrar nos anais do pensando o Brasil.

No país dos meninos, fóruns para debater os problemas nacionais reúnem apenas os de sempre. Os que ainda acreditam na enorme potencialidade deste país. A maioria fica nas conversas paralelas para falar mal de tudo. No país dos meninos, discute-se muito futebol. No país dos meninos, falar de mulher virou figurinha fácil, mesmo que muitas delas estejam preferindo passar para outro lado, cansadas de ouvir as palavras ociosas dos meninos. Enquanto a gente grande não começa a `batalha final` na disputa intercapitalista, resta observar os meninos, que têm sempre alguém no poder a passar mão na cabeça. `Você já viu algum rico preso?`, me perguntou, na semana passada, um homem ligado à Justiça. E eu respondi: não. E ele me respondeu: `não verá. Aqui, ladrão rico é herói. É até aplaudido como artista da Globo no final do julgamento`.

Mas é no país dos meninos que podemos encontrar na praia um menino do morro conversando naturalmente com um intelectual. Trocam experiências sobre sexualidade, medos e certezas. E o menino que estava ali apenas para trocar trabalho na barraca por um prato de comida, comenta: `só no Rio de Janeiro pode acontecer isso. Esse tipo de mistura onde a gente se sente igual a vocês, que sabem muito`. E lá vai ele ávido por conhecimento na Era Digital através da troca de experiência entre os seres. No país dos meninos, o oculto se revela no dia-a-dia. Tenho orgulho de ser brasileiro e carioca. Que país é este? É o país dos meninos.

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Comentário de Haroldo Vilhena em 17 julho 2009 às 0:04
Este texto foi criado por um dos meus irmãos, José Vilhena, que é jornalista. Postei por aqui pois o achei muito contemporaneo.
fico muito grato por seu comentário.

Um grande abraço,
Haroldo

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