Depois de uma chuva que não aconteceu, a CEMIG- manda-chuva da energia aqui no Estado- resolver fazer forfé e nos deixou quatro horas e meia com a energia variando entre 80 e 130 volts, numa oscilação inexplicável. Não seria melhor cortar a energia e nos deixar as escuras?
Aí, tirei tudo da tomada e resolvi encarar, no lampião, o que sobrava para terminar a “Trilogia Suja de Havana”, do Pedro Juan Gutierrez.
No livro, o ex-jornalista descreve o que teve que fazer para fugir a recessão dos anos 90 em Havana e mostra todo um comportamento contido num país em crise onde os governantes abandonam a população a própria sorte, que morre de fome e de falta de higiene.
Para quem conhece bem o Rio de Janeiro e a Capital Cubana, não existem muitas diferenças. Havana está entregue a uma revolução falida que- entre outras coisas- vive do tráfico, enquanto o Rio está entregue ao tráfico, que promove- a sua maneira – uma guerrilha urbana revolucionária.
Pelos escritos de Gutierrez faço um comparativo e vejo a Centro Havana como a esplanada do castelo, Praça XV e a Saara, enquanto o Malecon é a Beira-mar e o Aterro. Fico imaginando, pela lógica cubana, o que aconteceria a nós- população num todo- caso os Josés Dirceus e os Wladimires Palmeiras tivessem ganho a luta armada.
É bom lembrar que Gutierrez tinha nove anos quando Fidel entrou em Havana, foi educado de forma revolucionária, foi jornalista revolucionário, teve tudo de bom e do melhor, inclusive esse desencanto com o real, o qual transitou por uma realidade revolucionária até desembocar num virtual reacionário, impelido pelas necessidades básicas do sobreviver em um país abandonado.
Falar sobre a “Trilogia Suja de Havana” é mandar um recado para aqueles que ainda acreditam que houve pureza doutrinária, revolucionária e socialismo de massa numa Albânia de Enver Hoxha, numa Coréia do Norte de Kim I Sung e mesmo numa Cuba de Fidel. Quem vai a Varadero e visita Havana sabe do que estou falando. Quem esteve na Isla de Piños durante os anos 60-70 também. Eu um dia acreditei nisso. Já acreditei até em Deus!(fui coroinha).
Já faz uns 20 anos que eu acredito na cultura. Por ela, indivíduos trocam informações. Basta saber ler, escrever e ter os sentidos funcionando. Cultura não tem nenhuma contra indicação e não possui prazo de validade. Vejo isso na minha mãe, que fez 89 anos no sábado passado e é uma fera nas palavras cruzadas. Vez por outra ela me liga para eu servir de dicionário enciclopédico.
E por acreditar em Cultura, acredito em Pedro Juan Gutierrez, Tomzé, Bukowsky, Pitty, Burroughs, Kerouac, Célia Cruz, Willie Colon, Gilberto Gil, Marcos Valle, John Fante, Orson Welles, Groucho Marx, Angeli e todos aqueles que estão no imaginário que povoa meu coletivo sonhador e delirante. Saravá Mestre Fuleiro! Viva a Serrinha! Saravá Bateria do Salgueiro!

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