Às vezes fico pensando em como seria viver em um mundo justo e igual, onde não houvesse fronteiras entre países, nem físicas nem preconceituais, nem econômicas nem culturais, aonde a liberdade de ir e vir de todo cidadão estivesse atrelada firmemente à garantia individual de viver onde e como quiser, desfrutando dos direitos assegurados universalmente ao ser humano.
Uma utopia pensar hoje em dia em uma igualdade plena entre as pessoas, com a distribuição das riquezas produzidas no mundo sendo destinadas igualmente ou, ao menos, proporcionalmente aos seus produtores.
O que se vê atualmente é completamente o oposto da igualdade tão almejada, com poucos, muito poucos se apoderando e usufruindo dessa enorme riqueza, enquanto que a grande maioria, sofrida, se debate entre si para pegar as sobras que estes não puderam levar. Triste, realmente triste.
Mas não desesperador! Se dirigirmos nosso olhar para a história do homem veremos o quanto nós, seres humanos, melhoramos. Em todos os setores da atuação humana houve progressos significativos, e é fácil notar um contínuo aumento do senso de justiça entre os seres humanos. Para exemplificar, podemos comparar o direito de vida e de morte que os imperadores romanos possuíam sobre seus súditos; ou mais recentemente, a situação do camponês aviltado pela monarquia chegando a deflagrar o que seria conhecida como Revolução Francesa; ou ainda, a exploração insuportável dos primeiros industriais da Revolução Industrial aos seus empregados, práticas impensáveis em nosso tempo.
Seguindo este raciocínio, podemos afirmar que nós estamos vivendo em uma utopia para os romanos de dois mil anos atrás, para os revolucionários franceses que deram ou arriscaram suas vidas por uma idéia, e também para os trabalhadores das fábricas do século XIX. Ainda seguindo este raciocínio, se a utopia dessas pessoas que viveram no passado se realizou, porque a nossa utopia não poderá se realizar? Quem sabe como estaremos vivendo daqui a cinco séculos, um milênio ou cinqüenta anos?
Graças ao avanço da tecnologia, e esta nem é preciso dizer o quanto evoluiu, em especial nas comunicações, hoje temos acesso a informação muito mais rápida e variada e para cada vez mais pessoas, e podemos notar, muito em conseqüência desta melhora do ser humano, que preconceitos e dogmas incrustados no inconsciente coletivo durante anos e anos inexoravelmente darão lugar a uma observação lógica das coisas e suas consequências práticas.
A experiência ensina que tudo o que se mostra prejudicial à humanidade, incluindo aos direitos individuais, tende a ser eliminado, enquanto aquilo que ocasiona consequências boas é aproveitado. Assim, guerras foram assimiladas como algo ruim pelos seres humanos, por isso estão se acabando, enquanto a visão de um mundo mais bem cuidado e mais justo para todas as pessoas começam a ser aceitos não como algo bom, apenas, mas necessário, cooptando cada vez mais pessoas na luta por este objetivo.
Esta relação predatória entre ricos e pobres que vivemos e que já foi pior, diga-se, já está começando a ser vista como algo nocivo à humanidade, e em seu lugar elaboraremos outra, dentro dos princípios da ética e da razão. Os poucos ricos deste país não precisam manter a maioria dos seus compatriotas pobres, famintos e desesperados para que suas regalias continuem, e vê-se que entre eles muitos começam a perceber isso. Os que compreendem esta verdade conseguem ver a vantagem de ter o prazer de viver em cidades limpas e ordeiras, compensando qualquer perda monetária que porventura possa haver.
Este otimismo de um mundo melhor apóia-se em uma certeza empírica que qualquer pessoa pode fazer sozinha, requerendo um pouco de otimismo, somente, e não poderá ser detido por nada ou ninguém.
O mundo está sempre mudando juntamente com as pessoas para mundos supostamente melhores; foi assim com a ascensão do marxismo, do capitalismo, do fascismo, do nazismo, etc. Com erros e acertos vamos progredindo, e como formigas que fazem caminhos até o alimento, nós próprios somos responsáveis pela criação dos caminhos que nos levarão às nossas utopias.
Alguns trocarão nossas utopias por dinheiro, vaidade ou por uma vida mais fácil para si e entes próximos, mas esses são em menor número, e embora determinados e com força para atrapalhar esta marcha da humanidade, não serão entraves.

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