O que direi aqui carece de críticas e esclarecimentos por parte de eventuais especialistas no assunto, já que é produto apenas da minha imaginação, com base numa lógica que enxergo através da minha limitada visão.

                O desmatamento das nascentes provoca a interrupção das fontes que jorram através de pequenos córregos em toda a extensão da área, por uma razão muito simples: a mata retém a água, primeiro porque a chuva não cai diretamente no solo e vai escorrendo rapidamente, e o que ocorre é uma espécie de amortecimento da precipitação nas copas das árvores e daí o escoamento para aquele colchão de folhas que existe no solo, que se encarrega de fazer o resto do trabalho de retenção da água.

                Então aquela água retida pelo material orgânico existente no chão, vai lentamente se infiltrando no solo e dali para o subsolo e acaba vazando no primeiro buraco que encontrar ou mesmo sendo armazenada nos lençóis freáticos, que alimentam poços e cacimbas em muitos lugares por aí afora nesse mundão de Meu Deus. E aí vem a questão dos grandes lençóis denominados de aqüíferos que contém água subterrânea em grandes quantidades, chegando a jorrar através de fontes e permitem a utilização por poços profundos.

                E tudo isso que escorre de “cabeça abaixo”, gradativa e de maneira constante, pereniza um rio em seu leito na direção do mar, que vai procurando seu caminho de maneira teimosa e insistente, desviando os obstáculos que colocarem pelo caminho até atingir seu destino final.

                Quando acontece o desmatamento das nascentes, mesmo que continue chovendo naquelas terras, a água desce rapidamente através de grandes enchentes, com seus estragos e conseqüências desastrosas para as populações ribeirinhas, porém passada a ocorrência das chuvas o rio seca, a exemplo do Jaguaribe no Ceará e do Paraíba em nosso estado.

                Já o Rio São Francisco ainda é perene por conta de suas nascentes em Minas Gerais e até porque o inverno não acontece ao mesmo tempo ao longo do seu curso e aquele rio vem recebendo água em diversas regiões durante boa parte do ano.

                A questão do assoreamento não mata o rio. Ele poderá ficar mais raso e consequentemente mais largo, porém a água que cair lá em cima chega lá embaixo do mesmo jeito, só não se sabe quando, a depender das barragens que existam pelo caminho, que se constituem na outra opção para que o rio não morra, através da perenização, como no caso do Assú, no Rio Grande do Norte, perenizado bela barragem de Coremas na Paraíba.

                Agora, se o desmatamento desmantela a questão das precipitações pluviométricas, aí já são outros quinhentos. O reflexo disso poderá estar acontecendo no Brasil, inclusive no Sudeste, que não enfrentava problemas com secas.

                De qualquer maneira, para você acabar de perder o sono, vem à questão da bóia, do rango, da xepa. Diga-me uma coisa: se reflorestar tudo a gente acaba morrendo do mesmo jeito, só que de fome e não deve ser tão confortável assim. E agora?

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