Uma reflexão sobre a ferrovia em Poços de Caldas

 

Blog Memória de Poços de Caldas- Por Rubens Caruso

 

O TREM DE CAMPOS DO JORDÃO


Notícia publicada no site UOL:

"Estrada de Ferro de Campos do Jordão será recuperada
São Paulo - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, anunciou nesta quarta-feira a recuperação da Estrada de Ferro Campos do Jordão. Serão investidos R$ 4,1 milhões na ferrovia por meio da Secretaria dos Transportes Metropolitanos (STM). Os recursos serão destinados à compra de máquinas e equipamentos necessários à manutenção das vias. Segundo governador, a revitalização será feita dentro da proposta de trens turísticos. A previsão é que as obras fortaleçam o turismo na região.

Em maio deste ano, a ferrovia já havia recebido R$ 2,9 milhões para obras emergenciais, que foram concluídas em outubro. As obras permitiram o restabelecimento das viagens turísticas que atendem os roteiros Campos do Jordão-Pindamonhangaba e Campos do Jordão-Santo Antônio do Pinhal. Os ingressos para as viagens de sexta, sábado e domingo já estão esgotados até o dia 9 de janeiro do próximo ano. Daqui a três anos, a Estrada de Ferro comemorará 100 anos de atividade".

Mal comparando, a Ferrovia em Poços de Caldas, se estivesse operando, teria completado 125 anos, inaugurada como ramal da Mogyana em 22 de outubro de 1886. Em São Paulo, o governador anuncia o investimento milionário no trem turístico, enquanto nossa cidade tenta sepultar rapidamente o patrimônio ferroviário, cercando a Estação com muros privados "devidamente" autorizados pela prefeitura. Importante observar a demanda turística em Campos do Jordão: aos finais de semana os ingressos para passear no trem estão esgotados até janeiro, enquanto em nossa Estação jaz um improvável trailer em cujo interior estão depositados -acredite- bambus!

Felizmente resta a esperança no Ministério Público Federal (não confundir com o MP estadual), que está bastante empenhado em preservar o que pertence a todos os brasileiros. Por aqui, decorridos três meses desde que foi protocolado pelo editor do Memória de Poços de Caldas um pedido de tombamento de todo o remanescente do patrimônio ferroviário, no Condephact, este conselho sequer se dignou a informar se o assunto andou. No site da prefeitura constam apenas as lacônicas expressões "tramitando" e "atrasado" -muito pouco diante da importância da ferrovia na história da cidade. No mesmo site é possível acompanhar a importantíssima notícia sobre a instalação de painéis fotográficos nos tapumes que cercam a Thermas Antonio Carlos, destacando inclusive que o trabalho tem "patrocínio" da empresa que está reformando o Balneário.

Enquanto isso, servidores da prefeitura prometem aos moradores da rua Beira-Linha o asfaltamento no local. Patrimônio histórico asfaltado, pode?

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Comentário de Marco Antônio Nogueira em 7 novembro 2011 às 18:12

 

MARIA CÁSSIA,

 

Insistam nessa luta,

porque não é só São João

Del Rei é que tem direito

a conservar suas estradas

de ferro. O "netinho querido"

de vovô Tancredo, e seu

sucesssor, têm de

entender que outras cidades

turísticas de Minas também

existem. E Poços já teve o

seu apogeu, época em que

ofuscava S. J. Del Rei.

Por que, então, não dispensar

a ela a atenção que merece?

Olhe só que até o "Picolé de

Chuchu" está dando importância

à estrada de ferro de

Campos do Jordão.

Comentário de Maria Cássia D'Ambrósio em 8 novembro 2011 às 20:03

Marco,

São muitos os poçoscaldenses qu desejam a volta do " trem ".

Nossa história está verdadeiramente ligada a esta ferrovia. A "Mogyana " ia além da ferrovia. Eram pessoas que chegavam em busca de diversão ou cura;  eram objetos trazidos da glamurosa Europa em busca de novas construções e novas histórias .

Aqui estamos, rodeados por tudo o que esta trilha nos trouxe e nos fez ser o que somos.

Mas, o que nos parece, é que o futuro da nossa ferrovia está no passado!

 

Comentário de Maria Cássia D'Ambrósio em 8 novembro 2011 às 20:05

Marco,

 

Em tempo,

Pavor de pensar na mais remota possibilidade em  ter o " netinho do vovô  Tancredo " como presidente.

Aaafff.

Comentário de Gilberto . em 12 novembro 2011 às 16:35

Mária Cássia,

Não se iluda tanto com os governos paulistas!

Lembre que foram eles que estatizaram a Mogyana, a Paulista, Sorocabana, Noroeste e algumas outras para criar a Fepasa e, em seguida, passar a maior parte das linhas para a Ferroban. Esta a repassa para a ALL que abandona totalmente o transporte de passageiros e se concentra no transporte de carga. http://www.youtube.com/watch?v=2yAWPz-RH1k.

Comentário de Maria Cássia D'Ambrósio em 13 novembro 2011 às 22:23

Gilberto, você tem toda razão. Não dá mesmo para nos iludirmos. Porém, a idéia é mostrar um pouco mais sobre o descaso dos nossos políticos com relação à nossa ferrovia.  O descaso passa, inclusive, pela falta de respeito ao patrimônio histórico.

Andei sumida e só agora li seu comentário. Obrigada.

Vou colocar mais posts sobre minha cidade.

Abraço, Cássia.

Comentário de Gilberto . em 14 novembro 2011 às 15:57

Maria Cássia,

A saudade da ferrovia é grande. Tive a sorte de fazer algumas (as últimas) viagens na infância. Pegava a Paulista até Campinas e depois a Mogyana até perto de Jardinópolis (Noroeste de SP) onde meu tio tinha uma pequena propriedade.

Depois tive um pouco a sorte (pois conheci quase todas as linhas) e a tristeza (de ver vários ramais e estações já abandonadas) de fazer parte de um grande grupo que fez o levantamento dos bens da antiga Paulista e da Mogyana dos anos de 1974 até 1976. Muitas histórias de então para contar...  

Comentário de Maria Cássia D'Ambrósio em 14 novembro 2011 às 18:44

Gilberto,

Tenho enorme interesse em " Muitas histórias de então para contar...  "

Além de professora de história, faço parte de dois grupos de pesquisas patrimoniais.

Adorei saber que tenho um amigo aqui que compartilha com esse sentimento pelas ferrovias. Também tive a sorte de fazer as últimas viagens da nossa então FEPASA. Era uma fresta quando algum adulto nos levava para um pic-nic em Águas da Prata e o percurso era feito de trem.

Olha o que restou da nossa estação:

 Todos os muros observados na foto inferior estão construídos sobre o leito da ferrovia, em área integrante do perímetro de tombamento devidamente regulamentado.

Pois é...

Grande abraço,

Cássia

 

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