Seguem alguns versos meus pretensamente filosóficos sobre a capital do belo Sergipe Del Rey.

De minha janela, diviso o Atlântico.

A linha tênue do horizonte aponta para o passado
e para o futuro.

O presente é esta apreensão de horas e o respirar ofego.

Cabral, Colombo e os outros descansavam ao pôr- do-sol?
Ignoro.

Tampouco desconheço se pescadores
respiram fundo ao mirar as vagas que estrondam,
afugentando o calor da tarde,
na umidade dos líquidos.

As mesmas ânsias destes tempos serão substituídas por outras,
várias, renovadas,
o que fará eclodir outras necessidades.

Deveria ter esperanças no novo Homem?
Acaso estes Tempos o engendrarão?
A fúria financeira parece segredar que não!

Mas, dizia eu, de minha janela vejo os azuis longínquos:
do firmamento, de nuvens estabilizadas e do próprio mar.
A linha de que falei antes parece invisível, mas está ali, firme.

Aracaju resistirá, daqui a trinta anos, quarenta anos?

Avançará o mar?
Ou novo pacto será travado,
e o vigor das águas respeitará a morada dos homens?

Estes, por sua vez, saberão bem-viver,
em fraternidade jamais vista,
ou, atabalhoados, enveredarão, celeremente,
pelas avenidas da destruição de tudo,
na desesperada busca da acumulação material?

Que será de ti, Aracaju, num tempo mais adiante?

Que será do encanto de tua saia florida
– o mar, tempestuoso, belo, irado, raivoso,
que destrói casas e pedras postas em lugares indevidos -,
que sempre te convida para
o baile vespertino?

Temes tua própria veste?

Ou pensas que o mar não é o que imaginas seja,
e, antes, ele, mar, seria
um noivo perigoso, que evitas?

Temes a força masculina do mar, Aracaju feminina?

Ó airosa cidade, antes enamorada ficasses do rio Sergipe!

Este, apolíneo, te mira do cais,
ao longo da Beira-Mar, além da 13 de Julho.

E nem ligas para ele!
Mulher falsa!
A quem, afinal, queres?
Ao mar-saia?
Ao mar, noivo?
Ou ao rio, que te fita há séculos,
e te lança beijos, deslumbrado
– as ondas, na tarde, com ventos que afagam a mansidão fluvial!

Antes que te decidas, vou-me, pois é avançada a hora.
E não estou aqui para esperar decisões de mulher-cidade,
nem para espreitar amor não reconhecido de rio medroso!

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