Lyndonjohnson, o nome do feirante nos surpreendeu. Silva, seu sobrenome, o único sinal de brasilidade. Soubemos semanas depois que ele havia abandonado o trabalho. Sorriso matreiro e olhos sonolentos, nosso interlocutor se identificou como Eltonjohn,  uma homenagem ao grande músico. Thyaggos, Stephanys, Thyffanys,  Maicosuel, Jhennifer, Lorrainne e outros nomes cheios de consoantes, são hoje considerados tão brasileiros como João e Maria. E se identidade fosse a salvação, como argumentava o influente pensador Franz Fanon, estaríamos perdidos para sempre... Bem vindo ao novo Brasil de muitos Juniores e poucos Sêniores.
    Qualquer usuário do Facebook ou outra mídia social pode identificar nomes estranhos, diferentes ou mesmo incompreensíveis entre seus AMIGOS. Consultórios, filas de banco, cartórios ou repartições públicas oferecem uma enorme variedade de nomes, muitas vezes pronunciados de uma maneira tão bizarra como sua construção. Abundância de futebolistas brasileiros com prenomes terminando em “son” ou “sen”, que significam “filho de“ em línguas escandinavas, nos permitiriam escalar virtualmente uma seleção sueca ou dinamarquesa.
     Novos nomes brasileiros têm sido descobertos pela imprensa internacional. Recentemente,  o New York Times publicou uma matéria citando o nome de um jogador do Corinthians, Petroswickonicovick Wanderchkerof da Silva Santos, um garoto prodígio de 12 anos de idade que promete ser uma das estrelas da equipe.  Imagina o “baita” Neto, Galvão Bueno ou membros da Gavião da Fiel pronunciando o nome do craque durante uma partida acirrada.
      Emissora de televisão encontrou próximo a São Paulo uma família de sete crianças, todas registradas com variantes do nome Elvis: Elvis, Elvisnei, Elvismara, Elvislei, Elvicentina, Elvislaine e Elvislene. Faltou somente um chamado de Elvispelvis. Pessoas simples homenageando o Rei do Rock com ternura e doçura, para sempre. E ainda dizem por aí que Elvis morreu...    
     Vários estudiosos argumentam que a prática de usar nomes inventados ou que soam como sendo estrangeiros, reflete a tendência brasileira de colocar países ricos e coisas importadas na mais alta estima. Importado é sinônimo de qualidade. Globalização surge como outra possível explicação para a difusão do fenômeno. Estamos nos aproximando de um Brasil onde nomes como Gabriel, Júlia, Carolina, Carmem ou Roberto continuam se fazendo presentes nas novelas ou por famílias preocupadas em manter a genealogia privilegiada dos seus ancestrais.
   Palmari H de Lucena é membro de União Brasileira de Escritores

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