Antonio José da Silva (1705 - 1739) - Guerras do Alecrim e da Manjerona (1737)

Antonio José da Silva [O Judeu] (1705 - 1739)
Obra: Guerras do Alecrim e da Manjerona (1737) - Ária a Duo - Les Caractères
Direção: Xavier Julien-Laferrière
Solistas: Miriam Ruggeri & Rémi-Charles Caufman

'' Dom Lancerote:
Moça tonta, descuidada,

Sevadilha:
Há mulher mais desgraçada
Neste mundo? Não, não há.

Dom Lancerote:
Se não dás o meu capote,
Tua capa hei de rasgar.

Sevadilha:
Não me rasgue a minha capa.

Dom Lancerote:
Dá-me, moça o meu capote.

Sevadilha:
Minha capa.

Dom Lancerote:
Meu capote.

Ambos:
Trata logo de o pagar.

Dom Lancerote:
Meu capote assim furtado!

Sevadilha:
Meu adorno assim rasgado!

Ambos:
Que desgraça!

Dom Lancerote:
Contra a moça.

Sevadilha:
Contra o velho.

Ambos:
A justiça hei de chamar:
Meu capote donde está? (vão-se).''

* Representada no teatro do Bairro Alto, esta ópera lírico-jocosa é considerada a obra-prima do comediógrafo Antonio José da Silva. A peça satiriza a rivalidade existente entre ranchos carnavalescos, o "Alecrim" e a "Manjerona", que animavam Lisboa na época. Nota-se uma maior comicidade, resultante da linguagem, das situações, dos caracteres, etc., da definição de tipos e acima de tudo da sua coesão. Da peça em questão fazem parte cinco sonetos barrocos recitados e 20 árias cantadas.
O enredo inicia-se com o desejo de conquista de Gilvaz, um peralta, que quer ser amado por Clóris, uma donzela rica, e com os diversos estratagemas que o seu criado, Semicúpio, arranja para infiltrar o amo em casa da donzela. Caso o enamorado não conseguisse alcançar o seu objetivo, Semicúpio ficaria sem os ordenados atrasados. Entretanto Nise, a irmã de Clóris, aceita a corte de Fuas que, tal como Gilvaz, não tem dinheiro e acaba também por beneficiar da ajuda do criado deste e de uma criada das raparigas, Fagundes. O principal obstáculo desta trama amorosa é D. Lançarote, o pai das donzelas, que, além de avarento, pretende casar uma das filhas com Tibúrcio, um sobrinho seu. Para complicar um pouco a situação, os peraltas têm ciúmes um do outro por se julgarem rivais e Semicúpio apaixona-se por Sevadilha, outra criada da casa por quem Tibúrcio igualmente suspira.


* Antônio José da Silva (1705 -1739), que ficou mais conhecido na História da Literatura
pela alcunha de o Judeu, nasceu no Rio de Janeiro, de família de cristãos novos que tinham
vindo para o Brasil, atraídos pela relativa tolerância religiosa que as condições da
colonização brasileira e o tratado de paz com os holandeses impuseram até fins do século
XVII. Foi perseguido e, várias vezes, torturado pela Inquisição desde 1726. Em 1739, aos
34 anos de idade, foi condenado à morte e executado num auto da fé. Da efêmera carreira
teatral de Antônio José da Silva, que se iniciou em 1733 com a Vida do grande D. Quixote
de la Mancha e do gordo Sancho Pança, resultaram também as seguintes óperas cômicas:
Esopaida ou vida de Esopo (1734), Os encantos de Medeia (1735), Anfitrião ou Júpiter e
Alcmena e Labirinto de Creta (ambas representadas em 1736), Guerras do Alecrim e
Manjerona e As variedades de Proteu (ambas de 1737), Precipício de Faetonte (1738).
São comédias escritas em prosa e entremeadas de canções, cujos intérpretes não são
humanos, mas bonifrates, isto é, bonecos feitos de cortiça, também podem ser designadas
como óperas joco-sérias...

Classificação:
  • Atualmente, 5/5 estrelas.

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Comentário de manu briK][andrei em 13 agosto 2012 às 16:24

Maravilha!

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