Compositor Brasileiro: Alberto Nepomuceno (1864 - 1920)
Obra: Trovas nº 1
Intérprete: Carolina Faria
Piano: Priscila Bonfim

* Letra de Osório Duque Estrada

'' Quem se condói do meu fado
Vê bem como agora eu ando
De noite sempre acordado
De dia sempre sonhando
O amor perturbou-me tanto
Que este contraste deploro
Querendo chorar, eu canto
Querendo cantar, eu choro
Querendo cantar, eu choro
Curvado à lei dos pesares
Não sei se morro ou se vivo
Senhor dos outros olhares
Só do teu fiquei cativo
Por isso, a verdade nua
Este tormento contém
Minh'alma não sendo tua
Não será de mais ninguém
Não será de mais ninguém ''

* Realizado em Março de 2009 na sala da Congregação na Escola de Música da UFRJ.

** Alberto Nepomuceno
Fortaleza, 6/7/1864 - Rio de Janeiro, 16/10/1920
Filho de Vitor Augusto Nepomuceno e Maria Virgínia de Oliveira Paiva, foi iniciado nos estudos musicais por seu pai, que era violinista, professor, mestre da banda e organista da Catedral de Fortaleza. Em 1872 transferiu-se com a família para Recife, onde começou a estudar piano e violino.
Durante sua juventude, manteve amizade com alunos e mestres da Faculdade de Direito do Recife, como Alfredo Pinto, Clóvis Bevilácqua, Farias Brito. A Faculdade, nessa época, era um grande centro intelectual do país; por lá fervilhavam idéias e análises sociais de vanguarda, como os estudos sociológicos de Manuel Bonfim e Tobias Barreto, além das teorias darwinistas e spenceristas de Silvio Romero. Foi Barreto quem despertou em Nepomuceno o interesse pelos estudos da língua alemã e da filosofia.
Tornou-se um defensor atuante das causas republicana e abolicionista no Nordeste, participando de diversas campanhas. Entretanto, não descuidou de suas atividades como músico, assumindo, aos dezoito anos, a direção dos concertos do Clube Carlos Gomes de Recife. Atuou também como violinista na estréia da ópera Leonor, de Euclides Fonseca, no Teatro Santa Isabel.
De volta ao Ceará com a família, ligou-se a João Brígido e João Cordeiro, defensores do movimento abolicionista, passando a colaborar em diversos jornais ligados à causa.. Devido às suas atividades políticas, seu pedido de custeio ao governo imperial para estudar na Europa foi indeferido .

Em 1885, Nepomuceno mudou-se para o Rio de Janeiro, indo morar na residência da família Bernadelli. Deu continuidade aos seus estudos de piano no Beethoven Club, onde se apresentou ao lado de Arthur Napoleão. Pouco tempo depois, foi nomeado professor de piano do clube, que tinha em seu quadro funcional, como bibliotecário, Machado de Assis.

"A língua é minha pátria"

No dia 4 de agosto de 1895, Nepomuceno realizou um concerto histórico, marcando o início de uma campanha que lhe rendeu muitas críticas e censuras. Apresentou pela primeira vez, no Instituto Nacional de Música, uma série de canções de sua autoria em português. Estava deflagrada a guerra pela nacionalização da música erudita brasileira. O concerto atingia diretamente aqueles que afirmavam que a língua portuguesa era inadequada para o bel canto. A polêmica tomou conta da imprensa e Nepomuceno travou uma verdadeira batalha contra o crítico Oscar Guanabarino, defensor ardoroso do canto em italiano, afirmando: "Não tem pátria um povo que não canta em sua língua".

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